Este projeto nasce de um pequeno feixe de luz que atravessa o orifício de uma lata de metal e atinge o papel fotográfico, amalgamando um fenômeno físico-químico com toda uma carga imaterial formada pelos imaginários do território da antiga Colônia Psiquiátrica Juliano Moreira. As fotografias apresentadas são produzidas em técnica mista, a partir de pinhole e dupla exposição, reveladas na própria colônia, durante o período de residência artística  no Museu Bispo do Rosário, no ano de 2019, uma parceria entre o museu e o Festival Artes Vertentes. 

As latas com papel fotográfico circulam pela Colônia, por entre os pavilhões abandonados e seus entornos, observando a natureza se apropriar lentamente do que restou do hospital e de sua estrutura, em um cenário atravessado por inúmeras histórias de violência, mas também por uma grande força de regeneração que se reflete além da paisagem, na política da instituição, que se volta desde a década de 1980 em ações de superação do passado manicomial, rompendo com a lógica agressiva do tratamento clínico e de encarceramento dos usuários. As fotografias presentes neste trabalho nascem diante deste cenário onde coexistem paisagens ásperas e ambientes de reconstrução, em um estado perpétuo de transformação.

 

Nesta exposição há também uma série de diálogos entre o artista e os participantes das oficinas de fotografia, oferecidas para os artistas do atelier Gaia e para os usuários do sistema psiquiátrico da Colônia. Nestes diálogos teremos conversas com Patrícia Ruth, Ivanildo Ferreira de Sales e Michele Gomes, artistas que participaram das vivências durante a residência e produziram alguns trabalhos que serão apresentados na mostra. 

 

O projeto foi selecionado na Lei Aldir Blanc, edital 22/2020 “Bolsa de Exposições Virtuais e de Arte Urbana”.

 

Dilúvios

01.jpg
02.jpg
05.jpg
07.jpg
08.jpg
09.jpg

#PraCegoVer 

  • A primeira imagem é uma fotografia em preto e branco e mostra uma paisagem  panorâmica da região da Colônia; em destaque, uma formação rochosa denominada Morro Dois Irmãos; 

  • A segunda imagem é uma fotografia em preto e branco e apresenta o pátio do Núcleo Teixeira Brandão. Há duas figuras humanas, uma próxima ao canto esquerdo agachada e outra próxima ao canto direito em pé; 

  • A terceira imagem, uma fotografia em preto e branco, mostra um antigo Chafariz no Núcleo Histórico Rodrigues Caldas. A imagem no canto esquerdo apresenta uma anomalia visual e ao centro do chafariz uma pessoa com os dois braços erguidos; 

  • A quarta imagem, fotografia em preto e branco, mostra o aqueduto do século XVIII localizado dentro do Núcleo Histórico Rodrigues Caldas. A imagem é sobreposta com uma fotografia com rastro de gotas de água escorridas na parede. 

  • Quinta imagem, fotografia em preto e branco, mostra as divisórias de um dormitório do Núcleo Teixeira Brandão. No canto esquerdo, uma luz branca com faíscas, similar a uma pequena explosão.     

  • Sexta imagem, fotografia em preto e branco, mostra uma figura humana com a perna amputada, sentada em uma cadeira de rodas. Ao centro da imagem, em cima do peito da figura, um foco de luz sobrepõe a imagem.  

  • Sétima imagem, fotografia em preto e branco. Duas pessoas em um plano aberto. As duas figuras humanas estão de mãos dadas olhando para a câmera. 

  • Oitava imagem, fotografia em preto e branco, mostra de baixo para cima o rosto de uma mulher olhando o horizonte. A imagem é completamente sobreposta com uma fotografia de raízes. 

  • Nona imagem, fotografia em preto e branco, mostra duas cenas cortadas na diagonal por um contraste cinza claro no canto esquerdo inferior e preto no canto direito superior. Próxima ao canto esquerdo, um cadáver de um cavalo e no canto inferior direito da imagem dois urubus abrem asas para voar.

Apresentação